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                   VEGETARIANISMO

 

É impossível pretender praticar proteção dos animais, se não nos preocuparmos com

 

        

FORMAÇÃO  DA  SOCIEDADE  VEGETARIANA

Definições:  

- carne; compreendemos com "carne' neste texto os músculos de aves e mamíferos, usados na   alimentação humana...........................                                                                                                                                             

                                    

       

 

castração do boi com tezoura   

 

 

A sociedade ocidental atual - industrializada, democrática e carnívora, caminha

inexoravelmente na direção de se transformar numa sociedade vegetariana.

 A opção pela proteção dos animais e o vegetarianismo não é apenas um ato

de escolha pessoal, influenciada pela onda de moda do momento, mas é o

resultado natural e  sumário da interação de vários processos sociais,

culturais, técnico-científicos e econômicos.

       

Estes processos, de causas, origens e dinâmicas diferentes, estão conquistando

o coração e a mente das pessoas aos poucos, numa evolução cultural individual

e culminam transformando estas pessoas primeiramente em simpatizantes,

depois em protetoras dos animais e, por ultimo, em vegetarianas.

  abate de suino

É uma transformação pessoal, lenta, silenciosa e irreversível, uma transformação

cultural e espontânea, devida à educação e ao acesso à informação, que pode

não se completar em uma vida, mas se completará, com certeza, em várias gerações. 

Quando os vegetarianos e defensores dos direitos dos animais e seus simpatizantes

atingirem um numero crítico, acontecerá uma transformação qualitativamente

 nova na sociedade – estabelecerá se a sociedade vegetariana em substituição

da sociedade carnívora atual.

O conhecimento dos fundamentos e características deste conjunto de processos

de transformação permite não apenas fazer prognósticos, mas também encurtar

caminhos e otimizar soluções para mudanças inevitáveis econômicas e sociais

    

    

prato de carne de coelho    coelho de estimação

 

  prato "coelho em pedaços"     coelho brinquedo

 

      

cachorro assado para festa na China

  cães para abate em açougue na China

 

   

 

  

 

  

 

 

 

 

 

  

 

 

 

ANIMAIS  DE  ESTIMAÇÃO

Estima-se que há no Brasil em 2007 pelo menos 47,5 milhões de cães e 11,6 milhões de gatos domésticos (52, 53) e 29,6% das residências tem pelo menos um animal de estimação. A indústria de ração e artigos  para estes animais cresce 20% ao ano. Programas de TV, revistas, jornais, rádio, lojas, clínicas veterinárias, associações e adestradores particulares ajudam aos donos dos animais conhecerem e compreenderem melhor os seus animais. Conhecimentos específicos sobre animais, antes restritos aos biólogos e veterinários, de anatomia, saúde, comportamento, nutrição, tornaram-se amplamente conhecidos. Em muitas residências os animais tem status quase, ou ate mais que, de um membro da família. A partir desta situação até a compreensão que os bois, suínos, frangos e outros animais e aves agro-industriais, são iguais aos amados bichos de casa é apenas uma questão de tempo.

 

BUSCA  POR  QUALIDADE  DE  VIDA

A busca por qualidade de vida, junto com o acesso à informação, são as características que estão marcando nossa época e, com certeza, serão incorporadas para sempre na vida das futuras gerações.

Qualidade de vida significa conforto pessoal, natureza limpa e preservada, e alimentação saudável.

Os conhecimentos sobre saúde, cultura alimentar e até conhecimentos técnicos específicos, antes restritos apenas a  médicos e nutricionistas,  agora estão se popularizando e difundindo com velocidade espantosa. Internet, televisão, jornais, revistas, clínicas especializadas, fabricantes de alimentos, clubes, sindicatos, associações, reuniões informais de amigos, etc. ajudam para divulgar “o que é saudável e o que não  é“. A preocupação com a natureza, o ambiente, a saúde e a alimentação, junto com a democratização da informação, são as duas característica  mais marcante da nossa época.

Nestas condições, compreender que o consumo de carne faz mal à saúde é apenas uma questão de tempo.

 

 

PORQUE  O  CONSUMO  DA  CARNE  FAZ  MAL  À  SAÚDE?

Está comprovado cientificamente que o consumo da carne causa câncer (a carne de animais e aves).

A carne é o principal agente cancerígeno na nossa alimentação.

No tratamento da carne com calor a proteína da carne, a mioglobina, entra em reação com uma substancia presente nos músculos, chamada creatina, em resultado da qual se formam um grupo de substancias, conhecidas com o nome de “aminas heterocíclicas” que são cancerígenas. Quando a carne está exposta ao fogo intenso ou aberto, como na fritura e o churrasco, uma parte da gordura e das proteínas é transformada em alcatrão – estas justamente são as partes douradas e mais apetitosas. O alcatrão é uma mistura de substancias, varias das quais são também cancerígenas. Tanto as aminas heterocíclicas, quanto o alcatrão estão presentes no tabaco aceso e são a causa do câncer, provocado pelo tabagismo.

O outro mal que o consumo de carne, de animais e aves, causa é a obstrução dos vasos sangüíneas com colesterol e gordura saturada. Esta obstrução dos vasos é a principal causa da alta pressão sanguínea, do infarto, do derrame cerebral, isquemia e outras doenças graves e a carne é principal fonte de gordura saturada e colesterol na alimentação.

Devem ser somados a isto os chamados aditivos, como corantes artificiais, conservantes químicos e hormônios usados em presunto, mortadela, salsichas, frangos e outros alimentos cárneos, que são comprovadamente cancerígenos quando acumulados no organismo até certas concentrações, o que pode ocorrer com o consumo freqüente destes alimentos.

O câncer e as doenças cardiovasculares são responsáveis por 63% das mortes no Brasil, com 27% e 36% respectivamente.

Até poucos anos atrás, algumas pesquisas ainda não conseguiam identificar a relação entre consumo de carne e o câncer e isto causava controvérsia, porque a maioria das pesquisas provava o contrário.

A dúvida desapareceu quando começaram ser desconsiderados os fumantes das pessoas pesquisadas. Por terem uma incidência de câncer 10 vezes maior que os não fumantes, os fumantes destorciam os resultados das pesquisas.

O consumo de carne antes era relacionado apenas com o câncer do intestino, mas agora se sabe que a carne pode provocar câncer em outros órgãos.

O câncer do intestino está em 6o lugar de ocorrência no Brasil. Entretanto, no estado de Rio Grande do Sul, onde o consumo de carne é muito intenso, o câncer do intestino está em 1o lugar.

Estes dados são de domínio dos oncologistas e cardiologistas, porem, infelizmente ainda não são de domínio de todos os médicos de outras especialidades e todos os nutricionistas. Repete-se a mesma situação do tabagismo. Até a Segunda Guerra Mundial, em alguns países, 80% da população adulta  era de fumantes e os cigarros eram dados como prêmio às pessoas em sorteio pelo rádio, como hoje são sorteados liquidificadores pela TV. A consciência coletiva que o tabagismo é um mal precisou de aproximadamente 100 anos para se formar e consolidar, se considerarmos as primeiras evidencias cientificas que  relacionavam o tabagismo com o câncer.

 

Fontes: Instituto Nacional do Câncer www.inca.gov.br , U.S.National Library of Medicine www.pubmed.gov .  

 

 

O  CONSUMO  DE  CARNE  É  HABITO  E  NÃO  NECESSIDADE  NUTRICIONAL

O consumo de carne na sociedade industrializada e urbana não é  uma necessidade alimentar.

Todos os nutrientes, necessários para o crescimento e a vida normal dos humanos, encontram-se nos vegetais. As gerações sucessivas de adventistas saudáveis e os adeptos a algumas outra religiões, que também são vegetarianos, provam que o consumo da carne é dispensável sem nenhum prejuízo para a saúde.

O consumo de carne perdeu a importância de uma concentrada fonte de nutrientes, vital durante a evolução biológica dos homens, para se tornar apenas um habito de consumo não saudável, que pode ser eliminado com relativa facilidade se a criança desde nascença não conheça o sabor da carne. Quero relatar um caso interessante. Tenho um casal de gatos. A fêmea veio de um gatil com oito meses de idade, onde tinha sido alimentada com tudo, inclusive carne. Em casa ela é alimentada com ração, mas se lhe oferecerem peito de peru, come com prazer. Já o macho nasceu em casa de família, onde a sua mãe-gata era alimentada somente com ração. Ele foi desmamado com papinha de desmame, que é uma ração especial. Depois, já na minha casa, começou comer ração para filhote e com 6 meses de idade – ração para adulto. Ele nunca comeu outra coisa se não ração. Hoje, já com sete anos de idade, o que corresponde aproximadamente aos 45-50 anos da idade humana,  ele é um gato normal e saudável, porem continua sem mostrar absolutamente nenhum interesse  por outra comida, se não for ração. Experimentamos tudo – carne crua, assada, cozida, frango, queijo, peixe, etc. – ele é totalmente indiferente a estes alimentos, quanto muito, apenas os cheira por curiosidade, vira as costas e vai embora. Fizemos a conclusão que este comportamento, incomum para gato, deve-se ao fato que desde o primeiro momento do seu nascimento, ele nunca conheceu o sabor da carne. Isto pode ser uma prova que a pessoa também  nasce com o gosto alimentar ainda não formado. O padrão das preferências alimentares da pessoa, de quê vai gostar e de quê não, é formado nos primeiros meses e anos da vida de acordo com a comida que a mãe dá à criança. Se a criança nunca conheceu o sabor da carne, ela será pelo resto da vida indiferente a ela.  

 

OS  VEGETARIANOS  AUMENTAM  E  OS  CARNÍVOROS   DIMINUEM

É um fato, que o número de vegetarianos constantemente aumenta, enquanto o número de carnívoros diminui na mesma proporção. Esta é uma tendência mundial. Em paises em desenvolvimento o consumo de carne per capita pode ainda se manter ou até cresce. Isto se  deve ao aumento do consumo entre as pessoas mais pobres, que melhoram economicamente, estão aumentando sua renda e podem comprar alimentos mais caros, porem, devemos reconhecer, que estas pessoas, via regra,  também são as pior informadas. Quanto mais culta, mais industrializada e mais urbanizada é uma sociedade, tanto maior é sua população de vegetarianos e tanto mais intensa é a conversão dos consumidores carnívoros em vegetarianos. Em Grã Bretanha e Bélgica nos últimos  20 anos o consumo de carne diminuiu 30%. Nos Estados Unidos 2% da população se declaram vegetarianos. Esta é uma porcentagem muito alta, suficiente para dar a vitória eleitoral a um ou outro candidato presidencial americano. Estes números são do momento, inicio de 2007 e continuam crescendo.

A conversão ocorre somente na direção carnívoroèvegetariano e nunca ao contrário. As pessoas vegetarianas influenciam intencionalmente, ou não, às pessoas do seu convívio para diminuir ou parar de comer carne, o que não ocorre com os carnívoros; particularmente é muito forte na relação pais-filhos: via regra, pais vegetarianos educam filhos vegetarianos, porem os filhos dos carnívoros se tornam vegetarianos.

 

 

A  DEMOCRATIZAÇÃO  DA  INFORMAÇÃO

Com a invenção da Internet a informação tornou-se acessível às grandes massas. Os resultados da degradação do ambiente e o acesso à informação, produziram a cultura da vida saudável, que se torna dominante e universal, sobrepondo-se às culturas nacionais. Saber o que está comendo e respirando já é um direito à qualquer pessoa, independentemente de sua origem e estado social. A superpopulação de humanos e a industrialização desordenada começaram destruir o ambiente e ameaçam piorar a qualidade de vida, estimulando ainda mais a procura por informação.  A divulgação e o conhecimento pelas massas das condições cruéis de criação e morte dos animais que comemos, dos animais de trabalho e animais para pesquisas, é inevitável, é apenas uma questão de tempo.

 

 

 

ESGOTAMENTO  DO  MODELO  POLÍTICO-PARTIDÁRIO  ATUAL

Vivemos em época na qual a incontestável  vitória do capitalismo como sistema mais eficiente na produção de bens.

Isto levou na pratica ao desaparecimento das diferenças ideológicas entre os partidos políticos.

O desinteresse das massas com os temas tradicionais.

A inclinação das massas para um ou outro partido político  será cada vez menos dependente dos assuntos econômicos que ate agora dominaram as plataformas eleitorais, como inflação, gastos públicos, disciplina fiscal, desemprego, crescimento econômico, etc., porque as soluções tornaram-se unanimidade nacional e parte dos programas de todos os partidos políticos.

A opção eleitoral das massa será cada vez mais influenciada pela apresentação de alternativas para resolver assuntos concretos que tocam as pessoas profundamente e a proteção dos animais é um destes assuntos.

Um exemplo que isto já está acontecendo é o caso de Feliciano, eleito vereador em Campinas, SP em 2004 e em 2006 eleito deputado estadual.

Feliciano era um voluntário protetor dos animais abandonados e através da ONG que dirigia se dedicou durante anos a intermediar a adoção de animais abandonados, principalmente cães e gatos. Apresentou se como candidato a vereador em Campinas por um pequeno partido e sem recursos para campanha.

Não tinha tempo de rádio e televisão e ninguém o conhecia.

A campanha dele consistia basicamente de se apresentar  em showmicios e anunciar que era protetor dos animais no meio de dezenas de outros candidatos que falavam de segurança publica, desemprego, impostos, transporte, etc.

Foi eleito o vereador mais votado de Campinas.

Se considerarmos que em cada casa onde tem um animal de estimação tem, pelo menos, uma pessoa capaz de defender os direitos dos animais, temos no Brasil, no mínimo, 48 milhões de pessoas com potencial para integrar o Movimento pelos Direitos dos Animais. Isto é mais do que os filiados e simpatizantes de todos os partidos políticos tomados juntos.

Quando estruturado e organizado o Movimento pelos Direitos dos Animais se transformará numa das principais organizações sociais do Brasil e uma das maiores forças político-eleitorais do país, com condições de eleger numerosos representantes legislativos e executivos, inclusive o Presidente da República.  

 

 

 

FATORES  DESFAVORÁVEIS

Existem vários  fatores contrários ao estabelecimento da sociedade vegetariana:

 

Negócios

O de maior força é o temor de empresários ligados aos negócios da carne que irão perder dinheiro. Para a grande maioria não haverá nenhuma perda. O criador de animais poderá substituir a criação de animais por cultivo de vegetais orgânicos ou se é uma criação extensiva de animais, por cultivo de soja, mamona e similares para produção de biodiesel. No varejo quem tem açougue ou churrascaria poderá continuar vendendo e alimentos de origem vegetal, porque já tem o ponto comercial, já participa na cadeia produtiva e estas cadeia não vão desaparecer, apenas mudarão de ramo. Deve ser considerado, que estamos dentro de um processo longo, que permite a migração sem traumas de um ramo de negócios para outro.

 

Religião

Algumas religiões tem pavor do tema sobre direitos dos animais porque temem perder a sua influencia sobre o coração, mente e bolso dos fieis. Sob pretexto que “primeiro vamos cuidar das pessoas e depois dos animais” ou “o ser humano é diferente dos animais” tentam impedir que seus fieis protejam os animais.

Outras religiões ainda usam animais para sacrifícios e também são contra.

As sociedades cultas são cada vez menos religiosas.

Na Grã Bretanha e Coréia do Sul  40% das pessoas se declaram que não acreditam em deus. Obviamente, isto nada tem a ver com vegetarianismo, mas com a capacidade de adaptação das religiões às mudanças  na sociedade que sempre estão ocorrendo.

 

 

A  SITUAÇÃO  ATUAL

No mundo todo, inclusive no Brasil multiplicam-se as iniciativas pela proteção dos animais.

O Movimento pela Defesa dos Direitos dos Animais  (MDA)  no Brasil está em formação.

A questão da defesa dos animais é muito mais complexa do que a simples assistência de cães e gatos abandonados, pois exige obrigatoriamente algum posicionamento a respeito dos outros animais, como bois, suínos, frangos, perus, cavalos, burros, coelhos, cobaias, etc., usados na alimentação, para trabalho e pesquisas.

O conceito da defesa evoluiu naturalmente para o conceito dos direitos.

A afirmação que os animais tem direitos presume a existência de leis que estabelecem e regulamentam estes direitos. As leis incompletas ou a inexistência de tais leis não quer dizer que os direitos não existam. Os direitos podem ser naturais, como nascer, viver e morrer em liberdade, ou adquiridos, por exemplo, de bem-estar e saúde, garantidos pelos humanos.

naturais ou adquiridos dos animais e em função destes direitos, a existência ou não de base legal para o exercício destes direitos.

A história mostra que o reconhecimento dos direitos é precedido por lutas entre os defensores dos direitos pretendidos e os opositores, aqueles, que se sentiriam prejudicados com os novos direitos. Basta observar o direito ao voto e os direitos trabalhistas. Na Grécia antiga e Roma, votavam somente os homens livres e que tinham posses. Ate o século 19 as mulheres não votavam e até hoje em alguns países islâmicos as mulheres são consideradas criaturas de segunda classe sem direito de votar. A escravidão no Brasil apenas 130 anos atrás era legal, as pessoas eram compradas, usadas e vendidas como hoje são os animais. No século 19 os trabalhadores cumpriam jornada de 14 horas de trabalho diário e não tinham nenhum tipo previdência social. O que temos hoje como direitos sociais, trabalhistas e políticos foi conquistado com duras lutas durante muitas gerações. Não podemos esperar, que a proclamação dos direitos dos animais recebam aprovação unânime e imediata. A diferença de hoje para os tempos anteriores é que a vida democrática e o acesso à informação permitem lutar sem violência. 

A prática do assistencialismo é o primeiro passo na direção da institucionalização dos direitos dos animais.

Embora o assistencialismo não pode resolver as causas dos problemas dos animais, ele é o “pronto socorro” para os que precisam de ajuda urgente e não podem esperar, por isso, deve ser apoiado e praticado sempre.

Paralelamente ao assistencialismo devem se desenvolver as ações pelo reconhecimento institucional dos direitos dos animais.

O nome “movimento”, neste momento, é um certo exagero, pois temos por enquanto apenas ações isoladas de voluntários individuais, ONGs e algumas associações de várias ONGs, porem tudo ainda longe do que significa um movimento popular.

Para ser um movimento popular deve haver organização, programa e ações coordenadas em todo o território nacional  e as massas devem participar ativamente, o que ainda não está acontecendo.

As forças favoráveis  aos direitos dos animais, sejam elas ativistas pessoas físicas ou organizações,  devem começar se comunicar, unir e organizar; depois discutir e aprovar um programa comum  sobre as questões estratégicas do movimento e passar executar este programa em todo o Brasil, obviamente sem perder a sua identidade e possibilidade de iniciativa para ações próprias.

O primeiro passo na direção de um movimento deve ser uma  organização simbólica  destas forças, a elaboração de um programa provisório e a eleição de uma coordenação nacional temporária responsável pela execução deste  programa ate a realização do primeiro congresso do movimento, que aprovará o estatuto e programa definitivos.

O Governo Federal deveria ter um papel de financiador do MDA por vários motivos.

Se o Movimento dos Sem-Terra, MST, é financiado pelo Governo Federal, sendo que as ações deste movimento terminam freqüentemente com intervenção do batalhão de choque da policia militar e na Justiça  por causa de ocupações de propriedades, um movimento, como o MDA que se propões somente ações legais e objetiva o bem-estar comum e o progresso social, tecnológico e econômico da sociedade brasileira, teria muito mais razões para receber um apoio financeiro similar.

Alem disso, a presença indireta do Governo Federal no MDA tiraria qualquer duvidas sobre os objetivos estratégicos do movimento e suas ações práticas.

Entre as atividades prioritárias do MDA podemos mencionar:

- a divulgação dos riscos para a saúde que o consumo de carne causa. Fazer com que os conhecimentos científicos sobre o mal do consumo da carne deixem de ser um assunto exclusivamente acadêmico e se transformem em tema de discussão comum de escolas, médicos, prefeituras, sindicatos, associações profissionais e outros.

Para este finalidade:

a)      organizar congressos para médicos;

b)      organizar congressos para nutricionistas de prefeituras, professores de escolas e empresas que fornecem merenda escolar;

c)      organizar congressos para as empresas da cadeia produtiva da carne, incluindo fazendeiros, criador de bois, frangos e suínos, os matadouros, os frigoríficos, as empresas que fabricam alimentos industrializados de carne, as associações dos varejistas de açougues e churrascarias, com a participação de instituições financeiras e de financiamento tecnológico, como BNDES e FAPESP.

 

No programa do MDA deve ser prioridade a inclusão dos DA na Constituição e a aprovação de um Estatuto dos Animais com base nos direitos constitucionais.

 MDA não tem inimigos. Os carnívoros podem ser ativistas do MDA. O MDA deve ter bom relacionamento e dialogo com as grandes empresas do setor de carne, pois serão eles os primieros a lucrar com a substituição da carne por vegetais.

 

O  FUTURO

Intenso desenvolvimento tecnológico deve caracterizar a época do estabelecimento da sociedade vegetariana. As exigências para os alimentos de origem vegetal e não animal, quanto qualidade, variedade, conservação, sabor, nutrientes, controle de poluentes, etc.  irão aumentar proporcionalmente ao aumento do numero de consumidores. O desenvolvimento de novas tecnologias para produção de alimentos saudáveis e para substituir os alimentos de origem  animal, como também encontrar substitutos aos próprios animais, usados como insumos industriais, em pesquisas cientificas, trabalho e outros, tornará-se um dos principais desafios tecnológicos da época. Viveremos um intenso  progresso econômico e social, similar à época pós-abolição da escravidão do século 19 que criou novo tipo de sociedade, liberal, pluralista e republicana, estimulou o desenvolvimento capitalista e a conseqüente industrialização do País. Os direitos dos animais serão colocados ao lado dos direitos humanos e da preservação do ambiente e serão um dos parâmetros considerados nas relações entre os paises.

 

 

CONCLUSÕES

O reconhecimento progressivo pela população e suas elites, formadoras de opinião publica, que todos os animais são iguais e que nós, humanos, somos iguais aos animais, por certos critérios, que o consumo de carne faz mal à saúde e que os animais são criados e mortos com crueldade sem necessidade, inevitavelmente conduzirá à busca de soluções institucionais, a mais perfeita das quais é a constitucionalização dos direitos dos animais.

A vida político-partidário da sociedade democrática abre espaço para novas legendas e as legendas tradicionais com novos pontos de vista, que podem dar acabamento político à questão constituindo os direitos dos animais; que podem usar o forte impacto emocional, que este assunto encerra, para mobilizar as massas e romper tabus e obstáculos do nosso desenvolvimento, promover o progresso cientifico e tecnológico a patamar mais alto e por conseqüência elevar o nível do desenvolvimento econômico e social do País.

A transformação espontânea de uma sociedade carnívora em sociedade vegetariana é um processo  natural de amadurecimento social. É um processo longo e complexo, como todo processo de transformação social, que não pode realizar-se  através de um ato isolado ou ocorrer num período curto de tempo. Necessárias serão varias gerações para esta transformação se completar.

Este é um processo irreversível de transformação da sociedade democrática industrializada.

 

 

 

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